terça-feira, 1 de outubro de 2013

Escola Estadual Norte Mineira
Capitão Enéas
Eliane Antunes Pereira
01/10/2013
Projetos como alternativa de ensino e
aprendizagem
“Dos projetos individuais, aos projetos de grupo e aos projetos das
organizações, dos projetos profissionais, aos projetos de formação; dos
projetos de toda uma vida, aos projetos, mais prosaicos, para uma férias, ou
um fim de semana -, tudo se conjuga para que o “ projeto” se tenha
transformado num ritual que acreditamos ser capaz, só por si, de dar um
sentido ao nosso destino. “ (João Barroso)

 
Projetos e outras atividades significativas

Os projetos estão na moda atualmente. As demandas do mundo globalizado, da sociedade do conhecimento e da tecnologia combinam com a idéia de projeto, de projetar, de lançar para frente, de atingir um objetivo.
Atualmente, na educação, essa concepção aparece em termos da proposta pedagógica, que é entendida como um projeto a ser desenvolvido continuamente e que se refere aos objetivos da escola e ao modo como serão concretizados. Outra idéia relacionada aos projetos na escola aparece, também atualmente, como uma alternativa de ensino e de aprendizagem, como uma atividade privilegiada para se trabalhar de acordo com os princípios da reforma de interdisciplinaridade e contextualização.
A idéia de se trabalhar através de projetos na escola é uma ideia antiga, que vem de Dewey e outros educadores, embora tenha surgido em outros momentos e outros contextos. Quando se fala em projetos, estudo do meio, centro de interesse, trabalho por temas, pesquisa de campo, pedagogia de projetos, não significa que estamos falando a mesma coisa, embora essas atividades tenham como característica comum o esforço de implicar o aluno na sua aprendizagem, de trazer o mundo para dentro da escola ou de sair para o mundo para aprender.
O que é importante considerar ao elaborar um planejamento, considerando o que sabemos hoje sobre como se aprende e as demandas da sociedade sobre o aluno, é que as atividades têm que ter significado e sentido para o aluno. A  aprendizagem tem que ser significativa, o aluno tem que saber
o que está fazendo e porquê.
Zelar pela aprendizagem do aluno significa planejar condições para
aprendizagem significativa, seja através de projetos, seja através de outras
atividades.
A alternativa dos projetos

O modelo de projetos tem muito a ver com as concepções modernas de ensino e de aprendizagem, com os princípios da reforma de contextualização  e interdisciplinaridade e com as competências relacionadas ao aprender a
aprender e a trabalhar - e solidariamente.
Os projetos são uma atividade desenvolvida em equipe que têm como objetivo a compreensão de uma situação ou fato. O ponto de partida é uma situação problemática, trazida pelos alunos ou proposta pelo professor, cujo enfrentamento vai requerer a organização de atividades de aprendizagem, que
os alunos ajudam a planejar.
O desenvolvimento do projeto e as aprendizagens construídas vão depender dos conhecimentos que os alunos possuem, das estratégias que vão utilizar para aprender e da sua disposição para a aprendizagem.
Outro fator importante é que o conhecimento é construído e existe num intercâmbio entre as pessoas, isto é, o conhecimento está distribuído entre todos os membros do grupo. Do mesmo modo que os materiais, como livros, computadores e internet, outras pessoas e os próprios alunos, que fazem parte
daquela comunidade de investigação, também são recursos cognitivos para o
projeto.
O papel do professor é o de mediador e facilitador desse processo de aprendizagem, e não o de alguém que, por ter mais conhecimento, vai ensinar a matéria.
O processo de desenvolvimento de um projeto é singular e, por todas as características acima mencionadas, não deveria ser encarado como um método, no sentido de ter que ser desenvolvido através de uma única forma, do cumprimento de uma série de passos em seqüência e de regras inflexíveis. Desse modo, é o caso de descrevermos não como deveria, mas como poderia ser um projeto de trabalho.
Características do desenvolvimento de projetos

•Parte-se de uma situação ou tema-problema negociado com os alunos: inicia-se aqui o protagonismo do aluno, ao poder escolher ou negociar aquilo que realmente tem interesse em conhecer. A sua implicação com as atividades será maior na medida em que sabe o que está buscando e o que precisa fazer para conseguir. Por outro lado, a questão “porque” é real e concreta, faz parte de um contexto e necessitará do auxílio de vários saberes e disciplinas para ser abordada;
•Inicia-se um processo de pesquisa ou um percurso de busca: a pesquisa é a busca do conhecimento, é a atividade de todo aquele que quer conhecer: o detetive, o médico, o cientista. A postura é a de que não existe uma versão única da realidade e de que as verdades não são eternas;
•O percurso é o trabalho de uma comunidade de investigação onde é valorizada a cooperação e o professor é um orientador e não um especialista: o trabalho pode ser individual, de subgrupos, mas o objetivo é comum; é como se fosse um mutirão para construir um bem a ser compartilhado. O percurso não é fixo, mas o projeto tem um fio condutor que auxilia o professor na sua atuação com os alunos. O papel do professor é o de orientar as ações e de criar condições para o desenvolvimento do projeto e das aprendizagens a ele associadas. Nesse sentido, ele também é um aprendiz e tem uma função no grupo;
•Discutem-se e selecionam-se estratégias de busca e diferentes fontes e tipos de informação: a pesquisa na diversidade de fontes (livros, periódicos, filmes, vídeos, internet, pessoas comuns, profissionais e especialistas, etc.) e de tipos de informação relacionadas às diferentes linguagens deve ser valorizada e estimulada. Não existe um só meio de se buscar nem um só tipo de informação. A seleção e a organização da informação é uma competência a ser desenvolvida, não só para a escola mas para a vida;

•Desenvolve-se as atividades de busca planejadas, dividindo-se as tarefas entre o grupo: esse também é um momento de aprendizagem quando se tem que rever planos e estratégias, quando problemas inesperados aparecem, outras questões surgem e novas decisões têm que ser tomadas. É a realidade se apresentando em toda a sua complexidade;
•Examina-se e discute-se as informações coletadas: estabelecem-se critérios de ordenação e interpretação das informações, sistematizando-se os conhecimentos adquiridos;
•Representa-se o processo de elaboração do conhecimento: retoma-se e avalia-se o que se aprendeu, o que não se conseguiu alcançar e como foi o percurso, tomando-se consciência dos processos de aprendizagem;
•Levantam-se outras questões ou relaciona-se com outros temas que podem se constituir como novos projetos. Essa caracterização serve como orientação para o desenvolvimento de projetos e não deve ser seguida como etapas fixas. O que é importante garantir:
•o protagonismo do aluno durante todo o processo;
•a escolha de assuntos contextualizados;
•o tratamento interdisciplinar, implicando no auxílio de diversos saberes, áreas ou disciplinas;
•o processo de trabalho em equipe onde todos têm lugar e papel e onde se aprende a conviver solidariamente;
•o papel do professor como um mediador da cultura e facilitador da aprendizagem;
•a ênfase na avaliação como instrumento de reconstrução e tomada de consciência do aprendido.
http://www.namodemello.com.br/pdf/escritos/outros/ensinoporproj.pdf#page=3&
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